Prof. Dr. Francisco Artur Pinheiro Alves
Centro de Humanidades / Curso de História
Estamos vivendo novos tempos, com as mulheres colhendo os frutos de uma luta milenar para conquistar a igualdade com os homens. O primeiro registro de uma postura sem preconceito com as mulheres, foi de Jesus, que ao ser colocado diante de uma prostituta que a lei de então lhe conferia o apedrejamento, foi enfático: “quem não tiver pecado, atire a primeira pedra”. Como só ele não tinha pecado, ninguém se atreveu a jogar a primeira pedra e ele a perdoou, ou seja a incluiu na comunidade, em pé de igualdade dos demais.
No Brasil a luta das mulheres é também muito longa. Na década de 1930 é que elas conseguem votar, na década de 1960 estas conquistas foram amplamente redimensionadas. Hoje temos as mulheres ganhando espaços em todas as instituições. Nos três poderes da República, chegando ao ápice com a presidente Dilma Russef, sendo a primeira presidente do Brasil. Somente na Igreja Católica é que as mulheres ainda não conseguiram espaço no clero, pois não se ordenam mulheres. Dom Clemente Isnard, o mais progressista dos bispos do Brasil, ex-bispo de Nova Friburgo e ex-vice presidente da CNBB e do CELAN, que faleceu dia 24 de agosto, defendeu a ordenação de mulheres na Igreja, em seu livro “Reflexões de um Bispo sobre as instituições religiosas” da editora Olho D’água.
As universidades, várias delas tiveram e tem mulheres como reitora.A mais recente é a reitora da URCA professora Otonite Cortez. Na UECE tivemos várias professoras diretoras de Centro, Pró-reitoras e até reitora interina, como é o caso da nossa colega Conceição Pio, para exemplificar.
Estamos com uma eleição para reitor à vista, então eu estive pensando, por que não termos candidatas a reitor? É verdade que já tivemos candidatas em outros pleitos, mas agora o momento é outro. Estamos num momento muito propício à ascensão das mulheres, proporcionado pela ascensão da Presidente Dilma Russef, à presidência da República e amparado por um lastro histórico de lutas bastante consistência na área da igualdade de gênero.
Mas não é só ser mulher, é preciso ter um bom projeto para a Universidade, ser uma pessoa equilibrada, ter um pouco de carisma, ser uma pessoa responsável e de bom relacionamento entre seus pares e os colegas de trabalho e ser capaz de formar uma boa equipe de trabalho. Sinceramente, acho que esta é a vez das mulheres também na nossa querida Universidade Estadual do Ceará. Quem se habilita?

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